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"Antigamente os cartazes nas ruas com rostos de criminosos oferecia recompensas, hoje em dia pede votos...
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         APOSTILA DA AUDITORIA

Como a auditoria é uma ferramenta básica para o combate à corrupção, estamos montando uma apostila com base na seleção das melhores matérias disponiveis na internet. Aí vai a primeira parte da apostila.

Matéria 1  -  A importância da auditoria interna  - Matéria 2 - As questões das auditorias - Matéria 3 - Auditoria também tem direito a "afinação"  - Matéria 4 -Auditoria ambiental e formas de uso Matéria 5  - Textos sobre auditoria extraídos da wikipedia - Matéria 6 -Rombo de R$ 1,2 bilhão na contabili-dade do Carrefour- Matéria 7 -   Auditoria: evolução com ética, responsabilidade, indepen-dência, mas sem bola de cristal - Matéria 8 - Grande  empresa de auditoria sob suspeita: Deloitte               

Matéria 1  -  A importância da Auditoria Interna  

Com a expansão das atividades e dos processos, sentiu-se a necessidade de dar maior ênfase às normas ou aos procedimentos internos, diante do fato de que, de acordo com o crescimento das organizações, o administrador, ou proprietário da empresa, não poderia supervisionar pessoalmente todas as etapas das diversas atividades de seu negócio

 O auditor externo ou independente, de acordo com a sua opinião, por meio de seu parecer sobre as demonstrações contábeis, passou a emitir um relatório-comentário, no qual apresentava sugestões para solucionar os problemas da empresa, detectados no curso normal de seu trabalho de auditoria. Porém, o auditor externo ou independente, de acordo com a sua forma contratual de atuar, passava pouco tempo em suas visitas na empresa

Desta forma, para atender a necessidade da administração das empresas seria necessário um auditor mais permanente, que pudesse executar sua atividade com maior grau de profundidade, conhecendo melhor as diversas atividades da empresa que estão relacionadas com a contabilidade (controles internos, administração de estoques, administração de pessoal e administração dos processos, entre outros).

Attie (2006, p. 52) explica que: A importância que a auditoria interna tem em suas atividades de trabalho serve para a administração como meio de identificação de que todos os procedimentos internos e políticas definidas pela companhia, os sistemas contábeis e de controles internos estão sendo efetivamente seguidos, e todas as transações realizadas estão refletidas contabilmente em concordância com os critérios previamente definidos.

Nesse sentido, surgiu a auditoria interna, como uma ramificação da auditoria externa ou independente. O auditor interno é um funcionário da empresa, e dentro da organização ele não deve estar subordinado àqueles cujo trabalho examina. O auditor interno também não deve desenvolver atividades que possa vir um dia a examinar, para que não interfira em sua independência. A Auditoria Interna, colocada dessa forma, em nível recomendável para efeito do bom controle Interno, ficaria situada da seguinte forma em uma estrutura organizacional:

O organograma apresentado não é a única forma em que um departamento de auditoria interna pode se apresentar na estrutura. Poderia ainda haver uma ramificação do departamento de auditoria interna em cada diretoria, em função do tamanho e da dimensão de cada departamento. Também devemos considerar empresas e sociedades que formam uma holding. Nesse caso, apenas a administração da empresa investidora ou controladora possui departamento de auditoria interna nas sociedades controladas e coligadas.

Tanto a auditoria externa quanto a interna utilizam os mesmos procedimentos de auditoria, quando cabíveis, baseados no ponto de controle interno identificado e de acordo com o grau de extensão das atividades aplicadas. A auditoria externa muitas vezes utiliza os trabalhos da auditoria interna para emitir sua conclusão sobre a opinião, de acordo com os trabalhos desenvolvidos.Resumidamente, veja as principais diferenças entre auditoria externa e interna no quadro a seguir. Apesar da auditoria externa e auditoria interna aplicarem procedimentos semelhantes em suas atividades, elas são diferentes e se identificam de acordo com a extensão de seus trabalhos e pela independência da auditoria quando externa para formar opinião sem interferência da empresa.

Veja mais assuntos publicados sobre Auditoria Interna em:

http://www.portaldeauditoria.com.br/sobreauditoria/A-importanciia-da-auditoria-interna.asp

 

A Importância da Auditoria Interna
Conceito e a importância da Auditoria Interna
Modalidades de auditoria interna operacional
Critérios para recrutamento, seleção e admissão de auditores internos 
Diferenças Básicas entre Auditoria Contábil e Auditoria Interna Operacional
Diferenças básicas entre a Auditoria Interna e a Auditoria Externa
Funções Básicas da Auditoria Interna Operacional 
Qualidades do Auditor Interno
Auditoria Externa ou auditoria independente
Exercício Profissional da Auditoria Interna no Plano Internacional
Estrutura Organizacional de um Departamento de Auditoria Interna
Código de Ética e Orientações para a Prática da Auditoria Interna
Avaliação de Desempenho dos Recursos Humanos da Auditoria Interna
Conceitos e práticas para implementar a Auditoria Interna
Entendendo a Lei Sarbanes Oxley
Governança Corporativa
Coso Gerenciamento De Riscos Corporativa- Estrutura Integrada
Razões que levam uma empresa a criar um departamento de Auditoria Interna
Função da Auditoria Interna
Conceito de Controle Interno

Artigos publicados sobre Auditoria Interna

 - A Auditoria Interna passa por valorização no cenário atual
 - Fraudes Corporativas "como a auditoria interna pode prevenir perdas por fraudes e 
      desfalques na empresa"
O que é a auditoria interna
Por que fazer uma Auditoria Interna em Recursos Humanos?

  Cursos sobre Auditoria Interna 

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MATÉRIA 2 - AS QUESTÕES DAS AUDITORIAS

Antonio Roque Citadini -  Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

De início, é preciso lembrar que as empresas de auditoria, mesmo aquelas de renome internacional, enfrentam no Brasil situação adversa decorrente da estrutura empresarial brasileira, que deferindo substancialmente da de outros países capitalistas o que acarreta grandes dificuldades para as empresas de auditoria. Diversamente do Brasil, na maior parte dos países as empresas não são controladas por famílias, que, além de comandarem negócios, bem ou mal, contratam e constrangem os próprios auditores. Nos países mais adiantados - EEUU, Inglaterra, Alemanha, França, Japão, etc - as empresas contemplam interesses de milhares de acionistas, sendo, em geral, geridas por direções profissionais que buscam maior lucratividade e sucesso da companhia. Neste caso, a ação da auditoria passa a ser relevante para todos os acionistas, que terão, em seus relatórios, uma forma de controle dos dirigentes, podendo a qualquer insucesso, erro ou omissão, corrigi-los.

No Brasil isto quase não ocorre. Vejam-se os casos dos Bancos que quebraram - Nacional, Econômico, Bamerindus. Certamente teria sido mais eficiente, o trabalho dos auditores, não fosse a presença dos donos dirigindo os Bancos, quase sempre preocupados com negócios que nem sempre eram os melhores para a Instituição.

MUDANÇAS - Mudanças precisam ser feitas e o maior interessado no resultado de uma auditoria idônea é o mercado de capitais, para orientação de investimentos, tal como ocorre nos Estados Unidos e na Europa. Certamente a evolução do capitalismo no Brasil resolverá o problema acima colocado mas devem ser encarados outros problemas, além da organização empresarial arredia à auditoria.

O primeiro seria a definição, pelos órgãos públicos e privados, que controlam o sistema financeiro e o mercado de capitais, de regras precisas de auditoria, de tal forma que esta dê segurança ao auditor e desestimule retaliação por parte dos dirigentes das empresas. Nos países europeus e na América do Norte, onde as cobranças para atuação no mercado de capitais são mais efetivas, resolveram-se de forma adequada estes problemas. No Brasil torna-se necessário enfrentar tais dificuldades com mudanças legislativas que devem ser levadas a efeito.

Em segundo lugar, é possível que, algumas vezes, a empresa de controle realize suas auditorias de formas adequadas, sem qualquer vacilação, mas não detecte falhas. Neste caso, comprovado que agiu em estrita observância às normas previamente estabelecidas, nenhuma responsabilidade será atribuída à empresa de auditoria. Todavia, caso não tenha aplicado as normas de auditoria nos padrões estabelecidos, ou tendo aplicado e detectado irregularidade, tenha-os escondido, será solidariamente responsável, inclusive em relação aos prejuízos que os acionistas tiverem naquela gestão.Este ponto, que implicaria no estabelecimento mais adequado de normas, padrões, etc, não está resolvido, no caso brasileiro.

O terceiro e mais importante fator reside no fato de as empresas de auditoria serem também empresas de consultoria, às vezes realizando trabalhos dessas duas naturezas nas mesmas empresas. Essa situação é, evidentemente, inaceitável e é seguramente, responsável pelos erros que vêm aparecendo nas empresas de auditoria.

Auditar é verificar, fiscalizar, enquanto a consultoria aponta caminhos, indica atos de boa gestão para melhor resultado ou lucro, e quase sempre precede o ato do gestor.

Não podemos encontrar trabalho de fiscalização confiável em situação - em que aquele que, previamente, orienta a empresa nos seus atos, venha a ser o mesmo que, afinal, verifica se os atos foram regulares. Em alguns países o impedimento de empresas de consultoria possuírem empresa de auditoria é absoluto e mostra-se eficiente.

Há, no Brasil, uma corrente que defende que se crie um mecanismo de parcial impedimento: empresa que fosse contratada como consultoria estaria proibida de fazer, na mesma organização, auditoria de sua gestão.Será difícil esta solução intermediária, embora pareça ser este o caminho das alterações propostas no Brasil. Com freqüência o Estado apresenta exemplo de cooptação de altos funcionários para serem consultores em muitas empresas que posteriormente vêm a ser contratadas como auditoria.

A reestruturação nas auditorias privadas em muito servirá para a melhoria da qualidade da auditoria pública, que, igualmente, apresenta defeitos e muito se beneficiaria, com aperfeiçoamentos na área de auditoria independente. Dois caminhos se apresentam: o primeiro seria definir de formas mais modernas e adequadas as normas e padrões de auditoria, como fazem de forma precisa os países desenvolvidos; o segundo, instituir o impedimento de empresa de auditoria realizar de forma concomitante trabalho de consultoria.

Com a globalização e modernização do setor empresarial privado, o outro grande problema - que são as empresas e Bancos familiares, onde os negócios dos donos nem sempre são os melhores para as empresas - só o tempo se encarregará de resolver a questão.

PUBLICADO NO JORNAL "DIÁRIO COMÉRCIO E INDÚSTRIA", 20/10/97, P. 4.

MATÉRIA 3 - AUDITORIA TAMBÉM TEM DIREITO A "AFINAÇÃO" (Sporting Clube de Portugal)

http://golpenosporting.blogspot.com.br/2011/04/auditoria-tambem-tem-direito-afinacao.html

 Caros amigos,

Hoje gostaria de falar sobre a tão propalada auditoria as contas do Sporting. Como é sabido no ultimo sufragio eleitoral concorreram ao Conselho Fiscal e Disciplinar 6 Listas. 

Lista A - Godinho Lopes

Lista B - Pedro Baltazar

Lista C - Bruno de Carvalho

Lista D - Dias Ferreira

Lista E - Abrantes Mendes

Lista F - Candidatura independente

O Presidente em exercício convocou uma primeira reunião convocando a presença de todos os candidatos à Presidência do Sporting, dos quais apenas Pedro Baltazar e Abrantes Mendes participaram. Após este primeiro momento foi convocada nova reunião e desta vez Dias Ferreira decidiu juntar-se ao grupo.  

O que gostaria de perguntar ao Presidente é muito simples. Porque é que a Lista F não teve direito a participar na reunião? 

De salientar que as Listas F( Candidatura Independente) e C(Bruno de Carvalho) foram as unicas listas que tiveram uma referencia expressa à realização de uma auditoria externa as contas do clube durante a campanha.(cliquem)

Vamos agora a umas curiosidades:

1) Sabiam que a Lista F(CI) teve mais 707 sócios do que a Lista E(Abrantes Mendes)?

2) Sabiam que a Lista F(CI) teve apenas menos 91 sócios do que a Lista B( Pedro Baltazar)?

3) Sabiam que na reunião para a constituição de uma equipa para a Auditoria não estavam representados cerca de 45% dos associados do Sporting? 

4) Sabiam que estes senhores mesmo assim definiram uma comissão com 3 elementos nomeados (1 por Dias Ferreira, 1 por Pedro Baltazar, 1 Abrantes Mendes) sendo que a restante comissão é constituida por elementos do Conselho Directivo do Sporting?

5) Lista de nomeados: 

LISTA A : Conselho Directivo Sporting

LISTA B : Gonçalo Faria Carvalho

LISTA C : Não compareceu

LISTA D : Helder Palma Veiga

LISTA E : Jesus de Oliveira

LISTA F : Os "afinados" não tem direito a opinião!

6) Sabiam que Bruno de Carvalho foi processado pelo Sporting!?

COMUNICADO DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL (site do Sporting)

De seguida deixo-vos com um artigo de opiniao do saudoso Senhor ARTUR AGOSTINHO no Jornal Record

Fico na dúvida. Serei eu que não sei escrever ou haverá quem não consiga (ou não queira) entender aquilo que escrevo. Das poucas vezes em que – a propósito da crise do Sporting – falei em… auditorias externas, provoquei um certo desconforto e algum nervosismo em dois ou três amigos meus. O que – confesso – me surpreendeu, pois sempre tive o cuidado de deixar bem claras as minhas intenções.

 Li e reli o meu último texto sobre o assunto (“Pingos de lama”) e não encontrei motivos para qualquer desconforto ou nervosismo. Nem para que possa pensar-se que pretendi sugerir alguns destinatários entre dirigentes ligados ao Sporting, nas últimas duas décadas. Aliás, importa recuperar alguns pontos do artigo que considero perfeitamente esclarecedores:

 1.º – A auditoria não contemplava qualquer intenção de “caça às bruxas” ou de ajuste de contas ainda em aberto.

2.º – Interessava saber – isso sim – quando, como e porquê o “desastre” começou.

3.º – Era nosso desejo libertar das suspeitas de que, injustamente, são alvo alguns sportinguistas respeitáveis.

Mais honesta e transparente do que isto não me parece possível a intenção manifestada.

Sei que as contas do Sporting, há muito que são auditadas. O que – perdoem-me os meus amigos entendidos na matéria – não me parece dar resposta cabal à pretensão deste modesto escriba, que é, afinal, a de milhares de sportinguistas. Não considero suficiente saber se, ao fim de um ano, o Sporting arrecada um milhão em receitas e tem uma despesa de seis ou sete! Não me satisfaz saber que tanto as receitas como as despesas estão devidamente documentadas e que a auditoria considerou tudo certo – imaculadamente correto. O que pretendo é saber a razão por que se gastou muito mais do que se recebeu? Quais os erros cometidos? E porquê? Houve incompetência, azar ou os mercados “avariaram”? Mais: o que foi feito para corrigir os maus resultados? Já agora, aos primeiros sinais do “desastre”, o que fez o Conselho Fiscal? Chamou o Conselho Diretivo à razão? Não sei mas, à boa maneira dos tempos da “outra senhora”, talvez tenham preferido “deixar andar” do que entrar em colisão com quem os escolheu para a sua lista. Se o tivesse feito, talvez não tivéssemos chegado onde chegámos. Apenas para quem tem memória curta e sem qualquer intenção especial: o BPN e o BPP também eram auditados e foi o que se viu.

O Sporting perdeu na Luz mas deixou um sinal positivo de vontade de mudar. Às vezes, é sobre as derrotas que se constroem as grandes vitórias. Está na hora de acreditarmos…

Gostaria de vos deixar também o comunicado de hoje da Lista F, e mais não digo, cada um que tire as suas conclusões! 

É com grande preocupação que os membros da Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal (“CI”) que participou nas últimas eleições notam o evoluir dos preparativos para a auditoria às contas do Clube. A este respeito, e por ter recebido várias perguntas por parte dos seus apoiantes sobre que papel teria a CI, não pode esta deixar de comunicar o seguinte:

1. O termo “auditoria” é hoje parte integrante do vocabulário dos Sportinguistas, tendo-se tornado, ao cabo dos últimos anos, um dos pedidos mais insistentes por parte de quase todos os quadrantes leoninos.

2. A importância de uma verdadeira auditoria de gestão desde Junho de 1995, combinada com a elaboração de um “livro branco” que detalhe a gestão de todas as dezanove sociedades que compõem o chamado “Grupo Sporting”, quer em termos quantitativos de evolução de passivo e activo, quer em termos qualitativos sobre as escolhas tomadas pelos sucessivos Conselhos Directivos (“CD”), foi inicialmente sublinhada pelo Movimento Leão de Verdade e mais tarde pela candidatura Ser Sporting, cujos membros, conforme é sabido, integraram em parte considerável a CI.

3. Mais ainda, nas últimas eleições, foi a CI a única candidatura a avançar com um modelo concreto de auditoria e com os indicadores de gestão que doravante devem ser regularmente apresentados aos Sócios. Cumpre notar que a lista vencedora começou por nem propor uma auditoria, aderindo mais tarde a esta proposta, percebendo talvez a importância que os Sportinguistas hoje unanimemente lhe dão.

4. Por todos estes motivos, a somar ao facto de que a votação da CI nas últimas eleições (6,61%, correspondentes a mais de 1000 associados) revelou um grande número de Sportinguistas com intenção de que as medidas da CI fossem implementadas, foi sem surpresa que esta reagiu quando foi oficiosamente contactada no passado dia 29 de Março por um dos elementos do recém-empossado CD, Pedro da Cunha Ferreira, que transmitiu aos membros da CI o interesse em que estes participassem na definição das regras e âmbito da auditoria.

5. Para este efeito, foi inclusive agendado um contacto posterior com o Presidente do CD, para que se combinasse uma data para uma reunião. A CI, agindo de boa-fé, confiou então que seria incluída neste processo.

6. No entanto, nenhum destes contactos subsequentes se materializou até à data deste comunicado, tendo a CI verificado pela comunicação social que a comissão de supervisão da auditoria a realizar já terá sido formada, tendo sido ouvidas apenas representantes de algumas das listas candidatas ao CD.

7. Face a este conjunto de circunstâncias, podemos ser levados a concluir que o presente CD decidiu deliberadamente excluir a CI, por entender que esta exigiria uma auditoria em moldes que não lhe interessa fazer. Para a CI, o incumprimento deste compromisso – oficioso – é um sinal funesto quanto ao detalhe e escopo da mesma. Com efeito, o CD do Clube, tendo conhecimento do formato de auditoria defendido pela CI, terá optado por não o discutir com a mesma, ao contrário do inicialmente previsto.

8. Assim, a CI deixa aos Sportinguistas a garantia de que permanecerá atenta e vigilante ao desenrolar deste processo, pugnando por que a auditoria a realizar compreenda, necessariamente, pelo menos os seguintes aspectos:

a) Apresentação de contas consolidadas do período em questão, com indicação das relações existentes entre as várias sociedades do Grupo e da análise das transferências de valor entre as mesmas;

b) Análises financeiras às participadas do Sporting Clube de Portugal, no sentido de se avaliarem indícios de imparidade nas mesmas;

c) Evolução de passivos e activos, relacionando-a com os sucessivos CD; e

d) Gestão e evolução do património do Clube, com explicação detalhada sobre os principais negócios, como a venda dos terrenos do antigo estádio, construção do estádio e da academia e venda do património não desportivo.  

9. A CI não permitirá e denunciará qualquer manobra de branqueamento que permita resolver a questão da auditoria com um afloramento inócuo das matérias, reservando-se ainda o direito de, a seu tempo, emitir um parecer sobre os resultados que a auditoria revele e a idoneidade dos mesmos. 

10. Independentemente de quaisquer resultados eleitorais, a CI permanece intransigente na sua defesa dos interesses do Sporting Clube de Portugal.

O que – perdoem-me os meus amigos entendidos na matéria – não me parece dar resposta cabal à pretensão deste modesto escriba, que é, afinal, a de milhares de sportinguistas. Não considero suficiente saber se, ao fim de um ano, o Sporting arrecada um milhão em receitas e tem uma despesa de seis ou sete! Não me satisfaz saber que tanto as receitas como as despesas estão devidamente documentadas e que a auditoria considerou tudo certo – imaculadamente correto. O que pretendo é saber a razão por que se gastou muito mais do que se recebeu? Quais os erros cometidos? E porquê? Houve incompetência, azar ou os mercados “avariaram”? Mais: o que foi feito para corrigir os maus resultados? Já agora, aos primeiros sinais do “desastre”, o que fez o Conselho Fiscal? Chamou o Conselho Diretivo à razão? Não sei mas, à boa maneira dos tempos da “outra senhora”, talvez tenham preferido “deixar andar” do que entrar em colisão com quem os escolheu para a sua lista. Se o tivesse feito, talvez não tivéssemos chegado onde chegámos. Apenas para quem tem memória curta e sem qualquer intenção especial: o BPN e o BPP também eram auditados e foi o que se viu. O Sporting perdeu na Luz mas deixou um sinal positivo de vontade de mudar. Às vezes, é sobre as derrotas que se constroem as grandes vitórias. Está na hora de acreditarmos

Não desistimos de um Sporting transparente e informado sobre o seu passado, para que possa enfrentar com confiança o futuro. Continuamos fiéis aos valores que defendemos:

Independência. Rigor. Verdade.

Lisboa, 14 de Abril de 2011

A Candidatura Independente ao Conselho Fiscal e Disciplinar do Sporting Clube de Portugal

 

MATÉRIA 4 - AUDITORIA AMBIENTAL E FORMAS DE USO

 4.1. CONCEITUAÇÃO

A auditoria ambiental consiste em processo sistemático de inspeção, análise e avaliação das condições gerais ou especificas de uma determinada empresa em relação a fontes de poluição, eficiência dos sistemas de controle de poluentes, riscos ambientais, legislação ambiental, relacionamento da empresa com a comunidade e órgão de controle, ou ainda do desempenho ambiental da empresa. A auditoria ambiental tem como objetivo caracterizar a situação da empresa para fornecer um diagnóstico atual no que diz respeito a poluição do ar, águas e resíduos sólidos, favorecendo a definição das ações de controle e de gerenciamento que deverão ser tomadas para proporcionar a sua melhoria ambiental. A auditoria fornece recomendações de ações emergenciais, de curto, médio e longo prazo que deverão ser tomadas para proporcionar a melhoria ambiental da empresa. De forma sucinta, pode-se dizer que a auditoria ambiental compara resultados com expectativas ambientais. Existem diferentes formas de auditorias ambientais, que são definidas em função dos diversos objetivos a que elas se propõem. Uma divisão simples classifica as auditorias em quatro classes:  

 

  • Auditoria dos impactos ambientais: Onde é feita uma avaliação dos impactos ambientais no ar, água,solo e comunidade de uma determinada unidade industrial ou de um determinado processo com objetivo de fornecer subsídios para ações de controle da poluição, visando a minimização destes impactos.
  • Auditoria dos riscos ambientais: Onde é feita uma avaliação dos riscos ambientais reais ou potenciais de uma fábrica ou de um   processo industrial especifico 
  • Auditoria da legislação ambiental: Onde é feita uma avaliação da situação ambiental de uma determinada fábrica ou organização em relação ao cumprimento da legislação vigente.
  • Auditoria de sistemas de gestão ambiental:  É uma avaliação sistemática para determinar se o sistema da gestão ambiental e o desempenho ambiental de uma empresa está de acordo com sua política ambiental, e se o sistema esta efetivamente implantado e adequado para atender aos objetivos ambientais da organização. A auditoria de sistema de gestão é uma ferramenta de gestão, compreendendo uma avaliação sistemática, documentada, periódica e objetiva sobre como os equipamentos, gestão e organização ambiental estão desempenhando o objetivo de ajudar a proteger o meio ambiente. A maioria das auditorias ambientais é uma combinação de uma e outra forma de auditoria. Contudo, o objetivo principal de qualquer auditoria ambiental é a realização de um diagnóstico da situação atual para verificar o que está faltando e promover ações futuras que tragam a melhoria do desempenho ambiental da empresa

 

4.2. APLICAÇÕES E VANTAGENS DA AUDITORIA AMBIENTAL  

  • Melhoria do controle da poluição nas empresas
  • Verificação das condições da empresa em relação à legislação ambiental
  • Substituição parcial do governo na fiscalização ambiental
  • Avaliação dos riscos existentes e da vulnerabilidade da empresa, assim como identificação dos riscos antecipadamente.
  • Priorização de atividades e verbas para o controle ambiental
  • Dotação adequada de verbas para o controle ambiental
  • Verificação da condição ambiental de unidades a serem adquiridas e avaliação de alternativas de crescimento
  • Corte de gastos desnecessários, favorecendo ações econômicas e eficazes, reduzindo desperdícios.
  • Melhora no relacionamento empresa-governo e vice-versa
  • Atendimento à legislação de forma sistemática e consistente, com resposta imediata às novas exigências legais
  • Fornecimento de uma terceira visão do problema ambiental (do auditor)
  • Maior credibilidade e maior flexibilidade nas exigências da fiscalização
  • Proteção e melhoria da imagem da empresa junto à comunidade 

4. 3. PRECAUÇÕES IMPORTANTES 

• Confidencialidade em relação aos segredos industriais e as informações sensíveis à opinião publica

• Cuidados com a divulgação pública

• A empresa deve contratar auditores qualificados

• Apontando os problemas e não havendo a correção, fica difícil a defesa legal em caso de problemas, como acidentes, por exemplo

• Analisar o custo-benefício da auditoria, principalmente nas empresas menores

 

4.4. EXIGÊNCIAS EM RELAÇÃO AOS AUDITORES IDEPENDENTES

 

  • A auditoria deve ser efetuada segundo normas usuais, seguindo critérios e procedimentos adequados nas circunstancias especificas, com cuidado e zelo.
  • A auditoria deve expressar a situação real da empresa.
  • Os auditores devem ter capacidade técnica, competência e independência ético-profissional e devem manter confidencialidade, não divulgando fatos e não utilizando informações para beneficio próprio ou de terceiros
  • O exame de auditoria deverá ser planejado e supervisionado convenientemente, devendo ser conclusivos quanto aos elementos comprobatórios.
  • O conceito de relevância deve ser aplicado, assim como um certo grau de risco deve ser aceito para maximizar a eficiência e melhorar a qualidade do trabalho.
  • A atenção do auditor deve ser dirigida para os aspectos mais importantes e vitais.
  • O auditor deve ter consciência de sua responsabilidade legal e das possíveis repercussões de conclusões e opiniões exageradas.

 

4. 5. ETAPAS DA AUDITORIA

 

  •  Fixação dos objetivos da auditoria : a alta direção deve definir o que espera da auditoria
  •  Formação da equipe auditora
  •  Planejamento dos trabalhos : 

Atividades a serem executadas - Áreas a serem verificadas - Pessoas envolvidas - Pessoas a serem ouvidas  - Cronograma de execução

  •  Revisão da pré-inspeção

Briefing para a equipe auditora - Coleta a revisão de informações já existentes - Legislação aplicável

  •     Preparar check-list para inspeção
  •     Visita às instalações
  •     Solicitação de informações adicionais
  •     Analise e conclusões preliminares
  •     Discussão
  •     Elaboração do relatório final.

4. 6. EXEMPLO DE UMA AUDITORIA AMBIENTAL:

Auditoria de Redução de Resíduos. Uma auditoria de resíduos pode ser extremamente útil ao verificar como uma indústria pode reduzir ou reciclar resíduos. Neste caso a auditoria é o primeiro passo para um programa de minimização de resíduos. A auditoria de redução de resíduos é uma verificação sistemática e periódica das operações e processos da empresa com a finalidade de identificar áreas potenciais de redução de resíduos.

OBJETIVOS DA AUDITORIA  

- Diminui a necessidade de tratamento e disposição de resíduos e, portanto, seus custos.

- Reduzir custos de produção pela diminuição e matérias primas.

- Reduzir ou eliminar futuros custos de seguros por danos ambientais devido aos resíduos.

- Aumentar a consciência ambiental de todos na empresa

- Atender a legislação ambiental

- Demonstrar preocupação com o meio ambiente, a saúde e a segurança do trabalhador e da comunidade.  

ETAPAS E PROCEDIMENTOS  

- Seleção dq equipe de auditoria

- Identificação dos tipos e quantidades de resíduos gerados

- Identificação, qualificação e quantificação dos problemas da geração de resíduos

- Listagem das possíveis alternativas de solução para o problema

- Discussão das alternativas com a produção

- Estabelecimento das vantagens, desvantagens e custo das alternativas viáveis

- Exame das possibilidades de implementação das alternativas escolhidas

- Relatório com recomendações.  

MATÉRIA 5  - TEXTOS SOBRE AUDITORIA EXTRAÍDOS DA WIKIPEDIA

http://pt.wikipedia.org/wiki/Auditoria_interna

 5.1. Auditoria 

 Auditoria é um exame cuidadoso e sistemático das atividades desenvolvidas em determinada empresa ou setor, cujo objetivo é averiguar se elas estão de acordo com as disposições planejadas e/ou estabelecidas previamente, se foram implementadas com eficácia e se estão adequadas (em conformidade) à consecução dos objetivos.

As auditorias podem ser classificadas em: auditoria externa  e auditoria interna. Enquanto a primeira é realizada por um profissional sem vínculos empregatícios com a empresa, a segunda é feito por um profissional da própria empresa com o propósito de monitorar e avaliar os controles internos.[1]

Atualmente, a auditoria externa se distribui em diversas áreas de gestão, havendo várias ramificações: auditoria de sistemas, auditoria de recursos humanos, auditoria da qualidade, auditoria de demonstrações financeiras, auditoria jurídica, auditoria contábil, etc. Os profissionais de auditoria de demonstrações financeiras são certificados e devem seguir rigorosas normas profissionais. Entre as principais empresas de auditoria independente (e externa) estão: Deloitte,  PwC, KPMG  e Ernst & Young.

 

5.2. Auditoria fiscal

 

Auditoria fiscal ou tributária é aquela voltada para a análise do correto cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Segundo Jund Filho (2000, p. 32): "A auditoria tributária objetiva o exame e a avaliação de planejamento tributário e a eficiência e eficácia dos procedimentos e controles adotados para a operação, pagamento e recuperação de impostos, taxas e quaisquer ônus de natureza fisco-tributária que incida nas operações, bens e documentos da empresa".

Ela só pode ser realizada por servidor público empregado no ente tributante. Conforme artigo 142 do Código Tributário Nacional: "Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor aplicação da penalidade cabível".

O servidor público da fiscalização é a autoridade administrativa incumbida de verificar o correto funcionamento do sistema tributário. Ele deve ser um servidor público e em virtude disto realizar seu trabalho dentro dos princípios atinentes ao múnus público.

 

5.3. Auditoria interna 

É uma atividade independente e objetiva de garantia e consultoria, concebida para adicionar valor e melhorar as operações de uma organização. Ela ajuda uma organização a atingir seus objetivos através de uma abordagem sistemática e disciplinada para avaliar e melhorar a efetividade dos processos de gerenciamento de riscos, controle e governança. Esta definição é mundialmente reconhecida e aceita, sendo divulgada pelo Instituto de Auditores Internos (The Institute of Intetrnal Auditors - The IIA), representado no Brasil pelo IIA Brasil.

A atividade de auditoria interna geralmente é desempenhada por departamento de uma entidade incumbido pela direção de efetuar verificações necessariamente necessárias e de avaliar os sistemas e procedimentos da entidade, com vista a minimizar as probabilidades de fraudes, erros ou práticas ineficazes. A auditoria interna deve ser independente no seio da organização e reportar diretamente à direção. (in Glossário dos Termos Comuns das Instituições Supremas de Controle da CPLP).

Os principais objectivos de um auditor interno são: 

  • verificar a existência, a suficiência e a aplicação dos controles internos, bem como contribuir para o seu aperfeiçoamento;
  • verificar se as normas internas estão a ser seguidas;
  • verificar a necessidade de melhoramento das normas internas vigentes;
  • avaliar a necessidade de novas normas internas.

 

Podemos conceituar auditoria interna como um controle gerencial que funciona por meio de medição e avaliação da eficiência e eficácia de outros controles. Deve ser entendida como uma atividade de assessoramento à administração quanto ao desempenho das atribuições definidas para cada área da empresa, mediante as diretrizes políticas e objetivos por aquela determinados. A auditoria interna cumpre um papel fundamental na empresa: subsidia o administrador com dados e informações tecnicamente elaborados, relativos às atividades para cujo acompanhamento e supervisão que este não tem condições de realizar; e ela o faz mediante o exame de:

a) adequação e eficácia dos controles;

b) integridade e confiabilidade das informações e registros;

c) integridade e confiabilidade dos sistemas estabelecidos para assegurar a observância das políticas, metas, planos, procedimentos, leis, normas e regulamentos, e da sua efetiva aplicação pela empresa;

d) eficiência, eficácia e economicidade do desempenho e da utilização dos recursos; dos procedimentos e métodos para salvaguarda dos ativos e a comprovação de sua existência, assim como a exatidão dos ativos e passivos; 

e) compatibilidade das operações e programas com os objetivos, planos e meios de execução estabelecidos.

Não deve haver limitação, no âmbito da empresa, para atuação da auditoria interna. O auditor interno deve ter acesso a todas as áreas e informações, terreno no qual e para o qual desenvolverá seu trabalho. Naquelas áreas cuja tecnologia desconhece, no todo ou em parte, deve ele assessorar-se de profissionais habilitados, a fim de entender o processo, para poder avaliá-lo e julgá-lo, possibilitando, assim, que seu relatório seja emitido corretamente. Podemos exemplificar esta condição com referência a um trabalho desenvolvido numa área de Produção. Neste caso, o auditor interno se assessorará de um engenheiro, qualificado tecnicamente para, quando solicitado e autorizado pela Diretoria, julgar determinada operação ou opinar sobre ela. Deve, ainda, prestar total apoio ao Conselho de Administração e ao Conselho Fiscal da entidade, bem como, se em empresa estatal, coordenar e controlar o atendimento ao Tribunal de Contas e aos órgãos de Controle Interno.

Os sistemas de controle não se limitam às áreas contábil e financeira, mas englobam os planos da organização e todos os métodos usados para proteger seus ativos, verificar a exatidão e fidedignidade de suas informações contábeis, financeiras, administrativas e operacionais, e promover a eficiência e eficácia operacional, bem como estimular a observância de normas e diretrizes da administração, inclusive no âmbito das empresas controladas e coligadas. A função básica da auditoria interna, de assegurar o sistema de controle interno eficaz, não desobriga os executivos das responsabilidades de verificação e controle nos seus respectivos setores.Em 24 de março de 1995, o Conselho Federal de Contabilidade emitiu a Resolução 780, definindo: as Normas Brasileiras de Contabilidade Relativas à Auditoria Interna (NBC T 12), divididas em:  

a) Conceituação e Disposições Gerais;

b) Normas de Execução dos Trabalhos;

c) Normas Relativas ao Relatório do Auditor Interno e as Normas Profissionais do Auditor Interno (NBC P 3), divididas em:

  • Competência Técnico-Profissional;
  • Autonomia Profissional;
  • Responsabilidade do Auditor Interno na Execução dos Trabalhos;
  • Relacionamento com Profissionais de Outras Áreas;

e) Sigilo

f) Cooperação com o Auditor Independente. As citadas Normas do CFC, que se encontram anexas a este trabalho, são de cumprimento obrigatório pelos Contadores que exercem a função de auditor interno.

 

5.4. Auditoria contábil

 

A auditoria contábil compreende o exame de documentos, livros contábeis, registros, além de realização de inspeções e obtenção de informações de fontes internas e externas, tudo relacionado com o controle do patrimônio da entidade auditada. A auditoria têm por objetivo averiguar a exatidão dos registros contábeis e das demonstrações contábeis no que se refere aos eventos que alteram o patrimônio e a representação desse patrimônio.Além de ser uma técnica contábil a auditoria também pode ser entendida como um ramo da Contabilidade. O objeto da auditoria se resume no conjunto dos elementos de controle do patrimônio, quais sejam os registros contábeis, documentos que comprovem esses registros e os atos administrativos. Fatos não registrados documentalmente também são objeto da auditoria uma vez que tais fatos podem ser relatados por indivíduos que executam atividades relacionadas ao patrimônio auditado. 

Origem da auditoria contábil

 A auditoria surgiu como conseqüência da necessidade de confirmação dos registros contábeis, em virtude do aparecimento das grandes empresas e da taxação do imposto de renda, baseado no lucro expresso nas demonstrações contábeis. Sua evolução ocorreu em paralelo ao desenvolvimento econômico e com as grandes empresas formadas por capital de muitas pessoas. A auditoria contábil surgiu  na Inglaterra, primeira nação a possuir grandes empresas de comércio e primeira a instituir o imposto sobre a renda. Além disso, na Inglaterra já se praticava desde 1314 a auditoria nas contas públicas.

 

Reflexos da auditoria contábil sobre o patrimônio

 

  • sob o aspecto administrativo : contribui para a redução da ineficiência, negligência, incapacidade e improbidade.
  • sob o aspecto patrimonial: possibilita melhor controle de bens, direitos e obrigações.
  • sob o aspecto fiscal: auxilia no rigoroso cumprimento das obrigações fiscais, resguardando o patrimônio contra possíveis penalidades.
  • sob o aspecto técnico: contribui para a eficiência dos serviços contábeis.
  • sob o aspecto financeiro: resguarda créditos de terceiros contra fraudes e dilapidações.
  • sob o aspecto econômico: possibilita maior exatidão no resultado.
  • sob o aspecto ético: examina a moralidade do ato praticado.
  • sob o aspecto social examina a correta aplicação dos recursos para fins sociais e ambientais e certifica a confiabilidade destes dados.

 

Vantagens da auditoria contábil

 

  • Para a administração da empresa:  
    • Fiscaliza a eficiência dos controles internos;
    • Assegura maior correção dos registros contábeis;
    • Opina sobre a adequação das demonstrações contábeis;
    • Dificulta desvios de bens patrimoniais e pagamentos indevidos de despesas;
    • Possibilita a apuração de omissões no registro das receitas, na realização oportuna de créditos ou na liquidação oportuna de débitos;
    • Contribui para obtenção de melhores informações sobre a real situação econômica, patrimonial e financeira da empresa auditada;
    • Aponta falhas na organização administrativa da empresa e nos controles internos. 
  • Para os investidores e titulares do capital (sócios):  
    • Contribui para maior exatidão das demonstrações contábeis;
    • Possibilita melhores informações sobre a real situação econômica, patrimonial e financeira da empresa auditada;
    • Assegura maior exatidão dos resultados apurados. 
  • Para o fisco:  
    • Permite maior exatidão das demonstrações contábeis;
    • Assegura maior exatidão dos resultados apurados;
    • Contribui para maior observância das leis fiscais. 
  • Para a sociedade (trabalhadores, população, etc) como um todo:  
    • Maior credibilidade das demonstrações contábeis da entidade auditada;
    • Assegura a veracidade das informações, das quais dependerá a tranqüilidade quanto à sanidade das empresas e garantias de empregos;
    • Informa o grau de solidez e a evolução da economia nacional (através das demonstrações contábeis).

Limitações da auditoria contábil

Embora a auditoria contábil seja um instrumento indispensável para o controle organizacional, esta não deve ser considerada como imune a imperfeições ou a falhas. A auditoria contábil encontra suas limitações no momento em que as inconsistências detectadas assumem um caráter não contábil, ou seja, abrangem, além dos controles patrimoniais, outros aspectos, tais como engenharia de produção ou pesquisa operacional. Assim, a auditoria na área de custos pode detectar anomalias através do confronto dos custos-padrão com os custos reais, porém, ela não é capaz de detectar se essa anomalia é fruto de um desenho de projeto de baixa qualidade ou de regulagem das máquinas deficiente. Tais investigações escapam da auditoria contábil e partem para a auditoria operacional, para a auditoria administrativa e ainda para a auditoria de projetos.

Também seria ingenuidade supor que a auditoria contábil impeça por completo fraudes e erros nos registros e transações envolvendo o patrimônio, uma vez que o auditor contábil, em muitos casos não executa a verificação em todos os registros de determinada área  face a enormidade de averiguações que seriam necessárias para tal, o que inviabilizaria a auditoria pelo seu custo. Em vez de um exame em todos os registros, o auditor utiliza técnicas estatísticas e sua experiência para analisar amostras que representem o universo e os registros mais relevantes, tudo em função da relação custo-benefício.

Revisão contábil

A revisão contábil é um procedimento de auditoria, o qual compreende o exame de documentos, registros e demonstrações contábeis, sob o aspecto técnico e aritmético, a fim de descobrir irregularidades, erros ou fraudes.

Normas de auditoria contábil

Normas de auditoria são as regras ditadas pelos órgãos reguladores da profissão contábil e tem por objetivo a regulação da profissão e atividades bem como estabelecer diretrizes a serem seguidas pelos profissionais no desenvolver de seus trabalhos. As normas atualmente em vigor no Brasil são emitidas em conjunto pelo CFC, IBRACON, Banco Central do Brasil, a CVM e a Superintendência de Seguros Privados. No âmbito internacional, a Federação internacional de Contadores (IFAC) também emite pronunciamentos através da Comissão de Normas Internacionais de Auditoria, as quais contém orientações aos países-membros daquele órgão.

Risco de auditoria

Risco de auditoria é a possibilidade de o auditor vir a emitir uma opinião tecnicamente inadequada sobre demonstrações contábeis significativamente incorretas.

A análise dos riscos de auditoria deve ser feita na fase de planejamento dos trabalhos, considerando a relevância em dois níveis:

 

  • em nível geral, considerando as demonstrações contábeis tomadas no seu conjunto, bem como as atividades, qualidade da administração, avaliação do sistema contábil e de controles internos e situação econômica e financeira da entidade
  • em níveis específicos, relativos ao saldo das contas ou natureza e volume das transações 

MATÉRIA 6 - Rombo de R$ 1,2 bilhão na contabilidade do Carrefour

16 dezembro 2010 - Auditoria e escândalos contábeis

Escândalos contábeis são alvo de investigação
Lara Ely - Jornal do Commercio do RS

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) decidiu investigar o novo escândalo de maquiagem de balanço envolvendo agora a subsidiária brasileira da rede supermercadista Carrefour. Como no caso do Banco PanAmericano, os conselheiros vão apurar se houve desvio ético ou falha técnica de contadores e de auditores nas contas da rede de varejo. É o segundo caso em menos de um mês de “inconsistência contábil’’ que origina um processo interno no CFC. O conselho só ganhou em junho deste ano a atribuição legal para investigar e julgar essas infrações. Dependendo da gravidade, a entidade poderá multar, suspender ou mesmo banir definitivamente os profissionais julgados.Nos dois casos, a empresa de auditoria independente contratada é a Deloitte, uma das maiores do País nesse ramo.

A empresa já contatou o CFC esclarecendo a natureza de seu trabalho no Carrefour. A rede supermercadista teve rombo de R$ 1,2 bilhão em sua contabilidade - três vezes mais do que o estimado inicialmente pela matriz. O conselho vai solicitar documentos de ambas empresas, auditores e dos reguladores.Antes de demitir os principais executivos de sua filial no Brasil, por causa do rombo de R$ 1,2 bilhão descoberto nos balanços, a matriz da rede francesa Carrefour já havia dispensado os trabalhos da consultoria Deloitte. Esta, com sede em Londres, era responsável pela auditoria dos balanços do Carrefour no Brasil desde 2003, tendo sido substituída pela KPMG. No início do ano, depois de identificar problemas nos números locais, a matriz pediu explicações e uma solução para o caso. Como não houve uma solução satisfatória, em abril o contrato com a auditoria foi rompido.Só em junho, depois que os primeiros trabalhos da KPMG revelaram que as “discrepâncias contábeis” eram mais graves do que se suspeitava, Jean Marc Pueyo, que presidia a filial brasileira, e seus principais diretores foram demitidos. Constatado que os problemas se deviam à má gestão em relação às práticas contábeis adotadas na filial, a matriz ampliou o contrato com a KPMG para fazer também uma auditoria externa. O Carrefour não atribui má-fé a seus ex-executivos e diz que vai esperar a conclusão da auditoria, no fim do ano, para apontar responsáveis pelo rombo.

Em comunicado divulgado à imprensa, a Deloitte afirmou que os ajustes contábeis em curso “foram definidos pela administração da matriz do grupo Carrefour e não foram submetidos a sua auditoria no Brasil”. E afirmou que eles não prejudicam as demonstrações financeiras anteriores. A Deloitte lembrou ainda que ela e a KPMG são as responsáveis por auditar os números do grupo Carrefour, como estabelecem as leis da França. “Estamos convictos de que a verdade sobre esses fatos demonstrará que a Deloitte não tem nenhum motivo para rever seus procedimentos de trabalho”, afirma Maurício Pires Resende, sócio de auditoria e responsável por assuntos regulatórios da Deloitte. É o segundo caso de fraude contábil em que a subsidiária brasileira da Deloitte se envolve no País este ano. Há um mês, ela apareceu como pivô da descoberta de um rombo de R$ 2,5 bilhões no banco Panamericano, cujos balanços auditava.Crise leva ao fortalecimento dos controles internosHolland destaca o papel do contador na transparênciaA fraude de balanços contábeis no Brasil é uma questão que pode estar ligada ao prolongado período de inflação na economia [1]. Esta é a teoria de Charles Holland, contador e conselheiro da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Para ele, o longo período de inflação, mais fortemente vivido entre as décadas de 1980 e 1990, criou em grande parte dos empresários o hábito de não fazer a prestação de contas da forma correta, ou publicar balanços sem responsabilidade com as normas de contabilidade.

 

Atualmente, as empresas que apresentam uma boa prestação de contas são as companhias abertas, as de grande porte e as empresas regulamentadas, nos diversos setores da economia. Esse grupo representa um universo de menos de 200 mil empresas no Brasil. Já o número de companhias que não têm bons registros de prestação de contas gira em torno de três milhões, representando em média 20% da economia brasileira.Mesmo assim, quando algum problema relacionado à transparência das contas ocorre, geralmente há mais de um culpado. “Em casos de fraudes ou erros, mais que uma pessoa necessariamente está envolvida”, defende Holland. Porém, ele chama a atenção para o fato de que todo problema é também uma oportunidade de melhoria, e nesse caso, a chance é aprimorar os controles internos.

“Como os valores envolvidos são muito grandes, os escândalos trouxeram alerta para todo o mercado, no sentido de querer assegurar que suas empresas estejam livres desse tipo de problema”, afirma o contador.

Para Holland, processos de auditoria envolvem investimento e atenção continuada, pois quando “se baixa a guarda, se baixa a qualidade”. A partir dos escândalos, muitas empresas implantam processos mais sólidos e melhoraram sua prestação de contas. Esse hábito, que ganha força desde o fim do período de inflação, passa por um processo de resgate, e deve ficar ainda mais forte com a adoção das normas internacionais de contabilidade. Porém, não há previsão para que isso ocorra no curto prazo.

 

A estimativa de Holland é de que demore de cinco a dez anos para a implantação completa do novo sistema, já que isso depende da adaptação de mais de 10 mil professores, além do treinamento de 450 mil contadores e o treinamento de, pelo menos, 70 mil gerentes de bancos e agências bancárias que precisam aprender a ler e entender o significado de prestação de contas de acordo com novas práticas contábeis. A boa notícia é que isso está fazendo com que todo mundo passe a prestar mais atenção na qualidade de contas da sua empresa. O cuidado que não estava no radar de todos agora passa a fazer parte, a exemplo do que aconteceu nos EUA após o caso Enron.

A partir da deflagrada crise, houve uma reengenharia nos processos de prestação de contas, fortalecendo os controles internos das empresas que tinham ações negociadas na bolsa de valores.CFC quer dar uma resposta à sociedadeCarneiro diz que é preciso olhar de forma isenta uma questão que envolve direito de defesaToda vez que há suspeita de uma possível falha ética na postura profissional de um contador, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) entra em ação.

Isso porque a fiscalização do exercício da profissão, junto com o registro, é a principal função executada pelo CFC, com o apoio de seus 27 conselhos regionais. “Fiscalizamos os profissionais e as organizações no que diz respeito ao cumprimento do código de ética e dos regulamentos da profissão contábil”, afirma o presidente da entidade, Juarez Carneiro. O trabalho de fiscalização costuma ser rotineiro e desenvolvido com assiduidade. Mas pode surgir a partir de denúncia ou comunicação de casos específicos, como no caso do Carrefour e Banco PanAmericano. Quando isso ocorre, o CFC faz o chamado Pedido de Informações, que faz parte da primeira etapa investigatória. “Esse é o momento de investirgar se o ato praticado é passível da abertura de um ato administrativo ou ético”, explica o presidente.Havendo indícios em que se deve instaurar processos, é assegurado o direito de defesa, trabalho este que é desenvolvido dentro dos conselhos regionais aos quais o contador estiver registrado.

 

A partir daí, pode ser definida penalidade, advertência ou cassação do registro. A cassação de registro profissional é uma novidade para os contadores. O ato ficou definido a partir de junho deste ano, diante da aprovação da lei 12.249/2010 como penalidade para a considerada falta grave. Segundo Carneiro, o que leva à cassação é uma série de componentes que caracterizam falta grave. Questionado se esse seria o caso dos contadores envolvidos nos recentes escândalos, o presidente do CFC afirma que não há como estabelecer julgamento prévio antes de as informações serem analisadas. “Não se pode emitir qualquer tipo de opinião, nem detalhar as etapas em que se encontram os processos, tem que olhar de forma isenta uma questão que envolve direito de defesa”, afirma.

O presidente explica que essa postura é adotada para evitar que não se cometa injustiça com nenhuma das partes envolvidas.Não há uma previsão definida em relação ao tempo que isso pode levar. Enquanto o caso do Panamericano está em fase de conclusão da primeira etapa, na situação do Carrefour, as empresas ainda têm prazo para se manifestar. O presidente destaca que a sociedade percebeu que há um órgão de fiscalização atento a questões polêmicas que deixam todos em alerta.Auditor pode ajudar a prevenir, mas não eliminar irregularidadesDeve-se reconhecer que as práticas contábeis podem ajudar na redução de ocorrências de irregularidades em demonstrações financeiras, mas, por si só, não serão capazes de eliminá-las.

Quem defende a ideia é Maurício Pires Resende, sócio de auditoria e responsável por assuntos regulatórios da Deloitte.Para ele, o papel do auditor necessita ser mais bem esclarecido. “O termo auditoria vem sendo largamente utilizado nos mais diferentes meios com a conotação de um trabalho quase que policial e do qual se esperam soluções para todos os problemas que envolvam qualquer tipo de desvio em relação a normas, procedimentos de governança e administração financeira.”Resende explica que, embora haja uma percepção de que o auditor seja capaz de detectar a ocorrência de fraudes - o que não é obrigação precípua do seu trabalho -, há de se entender que o auditor possui inúmeras limitações neste sentido. Essas limitações podem ocorrer por diversos motivos. Ações de administradores de uma empresa em conluio, fraudes que envolvam terceiros que não são objeto de exames de auditoria pelo mesmo auditor, manipulação de sistemas tecnológicos e de controles feita com a finalidade específica de ocultar fatos reais do auditor são alguns exemplos.

 http://contabilidadefinanceira.blogspot.com.br/2010/12/auditoria-e-escandalos-contabeis.html

MATÉRIA 7 -  Auditoria: Evolução com Ética, Responsabilidade, Independência, mas sem Bola de Cristal.

Braulio Vilela - Auditoria e consultoria -  http://www.bvauditoria.com.br/artigos03.html

Antigas histórias remontam a existência das cartomantes e videntes, que através de “habilidades ou dons”, utilizavam bolas de cristal e outros acessórios para preverem o futuro. Algumas pessoas ainda recorrem a estas “senhoras”, na busca da solução de problemas pessoais.

Entretanto, no mundo dos negócios, prever o futuro é uma tarefa um tanto quanto complexa, e previsões influenciam diretamente no estágio atual e futuro de determinados segmentos.

Famosos gurus, principalmente americanos, dominam a previsibilidade mundial dos negócios, indicando tendência a partir do comportamento da maior e mais desenvolvida nação capitalista, os Estados Unidos. Lá as coisas acontecem numa velocidade incrível e, portanto, estão na frente das demais nações, que compram e imitam os seus modelos de gestão e idéias revolucionárias como reengenharia, downsizing, turnaround e por último e-business. Na verdade o e-business é composto por diversas categorias como, por exemplo, e-engineering, e-banking, e-learning, e-directories e e-commerce. Identificados pelas empresas pontocom (.com), são as sensações do momento.

A chegada e as práticas adotadas pelas empresas pontocom (.com), estão revolucionando, e mudando a forma de pensar e de agir da maioria das empresas, e principalmente do estilo de concorrência. Empresas de pequenos e grandes portes, tradicionais e recentes, concorrrem num mesmo mercado, oferecendo, na maioria das vezes, um mesmo produto ou serviço, a uma mesma gama de cliente.

Hoje, no e-commerce, quem faz a opção é o cliente, através da opção de visita a determinados sites. O ato de escolher um endereço e acessá-lo (www. _________. com) significa uma oportunidade de negócio, e deve ser aproveitada e gerida pelas empresas, da melhor forma possível.

O cliente deve ter a segurança de estar “comprando” de uma empresa sólida, que entregará o produto dentro prazo combinado, nas condições corretas, e principalmente que suas informações cadastrais e o número do seu cartão de crédito, não caiam em mão erradas. E é aqui que aparece a figura das Auditorias. Antes responsáveis pelo “Parecer (opinião)” sobre a adequação das Demonstrações Contábeis quanto aos Princípios Fundamentais de Contabilidade, Normas Brasileiras de Contabilidade e legislação específica, agora vêem, a extensão da sua responsabilidade e do seu risco, em função da evolução e informatização dos negócios.

Entendo que a auditoria tem agora dois focos bastante complexos neste contexto:

O primeiro deles é o “Parecer” sobre as Demonstrações Contábeis das empresas pontocom, cuja velocidade de transformação e incertezas tornam maior o risco de auditoria¹. O The Wall Strett Jornal divulgou, recentemente, uma relação de 10 empresas, cujo Parecer não apontava problemas de continuidade, e que faliram em menos de 12 meses após o trabalho de auditores. Na seqüência fomos surpreendidos com o escândalo envolvendo grandes empresas americanas e seus balanços fraudados (no Brasil tivemos dois casos semelhantes de duas grandes instituições financeiras).

O segundo, é quanto à avaliação das políticas de segurança adotadas pela empresas pontocom(.com),  a avaliação do risco envolvendo o “ambiente empresarial”, e a transferência desta segurança para o público em geral pelas auditorias. De acordo com pesquisas americanas, a maioria das pessoas que faz ou pretende fazer negócios pela internet está preocupada com a segurança das informações pessoais digitadas nos sites dos fornecedores. Não faltam exemplos clássicos de atuação dos hackers, piratas da internet, que já conseguiram invadir computadores e acessar bancos de dados de grandes empresas e órgãos públicos. 

Neste momento, tudo que envolve auditoria deve e está sendo repensado. Desde a composição das unidades didáticas dos cursos universitários, que envolvem a formação dos auditores, as normas de atuação e os procedimentos, passando pelos cursos e treinamentos suplementares chegando até o risco da auditoria provocado, principalmente, pela ética.  Devemos sim, nos preparar para atuar nesta nova dimensão, tendo o cuidado de transmitir aos usuários e contratantes dos nossos serviços, os riscos existentes nesta ou outras formas de se fazer negócios. Infelizmente, tanto no mundo real quanto no virtual, existem indivíduos buscando oportunidades de benefício próprio, utilizando métodos ilegais.

O certo é que, nós auditores, não temos bola de cristal e não poderemos aceitar a responsabilidade, única e exclusiva, pela ocorrência de fraudes provocadas por pessoas inescrupulosas que, fatalmente, já agem no mundo real e, também, virtual dos negócios. Estamos no momento de mudança, mas a ética, a responsabilidade e a independência dos auditores devem prevalecer e nortear, como sempre foi, a nossa atuação profissional.

MATÉRIA 8 - Grande empresa de auditoria sob suspeita: Deloitte

8.1. Raio-X do escândalo Parmalat 2 - As falhas da fiscalização

Na segunda parte da série de três artigos preparada com exclusividade para a Capital Aberto, o advogado e ex-presidente da CVM Luiz Leonardo Cantidiano apresenta as principais conclusões de um relatório preparado pelo Comitê Técnico da Iosco (International Organization of Securities Commissions) sobre o escândalo Parmalat.

Luiz Leonardo Cantidiano 

As vulnerabilidades que teriam permitido o disfarce da crise financeira pela qual passava a Parmalat foram estudadas em detalhe pela força tarefa da Iosco na preparação do relatório que dissecou a crise do grupo. Entre outras conclusões, a instituição afirmou que os auditores falharam em suas tarefas e que os reguladores precisam repensar suas formas de atuação para evitar futuros descontroles sobre crises do gênero. Apesar de concordar, em princípio, com o fato de que não compete às empresas de auditoria detectar fraude financeira bem elaborada, o relatório da Iosco afirma que cabe ao auditor mais do que confirmar que as contas da companhia não contêm erros acidentais ou involuntários. Neste sentido, as normas de atuação deveriam permitir ao auditor detectar a fraude óbvia e os desvios, o que pode ser feito, por exemplo, através da busca de confirmação da existência de uma conta bancária com saldo considerável, grande volume de capital ou suas reservas.

Quando há falha na atuação do auditor externo, quatro razões podem ser apontadas, segundo a Iosco: (a) fraude bem elaborada, de parte dos administradores da companhia, (b) fraude cometida pelo sócio ou administrador da empresa de auditoria, em conluio com o administrador da companhia, (c) falha de parte do auditor na aplicação dos princípios que regem sua atividade e (d) insuficiência dos princípios que regem a atuação do auditor, impedindoo de detectar as discrepâncias. Os escândalos que precederam o episódio Parmalat demonstraram ser necessário aperfeiçoar a vigilância sobre a atuação dos auditores que, na maior parte dos países, eram auto-regulados, o que levou a um movimento no sentido de criar órgãos incumbidos de definir a política de atuação dos auditores, fiscalizando seu cumprimento.

Como ressalta o relatório, o monitoramento da atuação do auditor, combinado com medidas eficientes de aplicação das regras, pode impedir a prática da fraude ou detectála tão logo ela seja praticada. A despeito de as investigações sobre a Parmalat estarem inconclusas, os especialistas vêm se perguntando se as práticas adotadas pelos auditores são rigorosas o suficiente para perceber as fraudes que têm ocorrido. O monitoramento externo, acompanhado por regras de fiscalização editadas pela própria empresa de auditoria, é uma salvaguarda eficiente para impedir o envolvimento de seus funcionários na fraude. A situação é mais complexa quando a emissora opera em mais de uma jurisdição, com a existência de princípios diferentes de atuação dos auditores, o que tem levado alguns reguladores a determinar o uso, pelos seus auditores, dos princípios internacionais (ISAs).

Os escândalos anteriores aos da Parmalat mostraram, segundo a Iosco, a importância de um comitê de auditoria, independente da administração, ser incumbido de contratar o auditor externo e de monitorar sua atuação. O comitê da Parmalat era composto por três membros, dos quais dois eram antigos administradores da companhia. Desses, um esteve diretamente implicado com as irregularidades constatadas.

Outra questão é quando uma companhia tem subsidiárias fora do país e contrata auditores diferentes para examinar as contas dessas controladas, como ocorria com a Parmalat. As demonstrações das subsidiárias geralmente são utilizadas para integrar as contas da controladora, o que deve levar o auditor da última a rever e opinar sobre a regularidade das contas do grupo. Podem surgir aí problemas se há falha no trabalho executado em determinada subsidiária estrangeira e o auditor da controladora não está informado, ou não consegue apurar. Os membros da Iosco têm enfrentado o problema através de uma das seguintes soluções: responsabilizar o auditor da sociedade controladora pela regularidade das contas de todo o grupo, incluindo as subsidiárias ou permitir que o auditor da controladora “lave suas mãos”, isto é, que ele deixe claro que não tem responsabilidade pela auditoria realizada nas subsidiárias. A consolidação da atividade de auditoria nas mãos de poucas firmas também levantou questões sobre a qualidade dos serviços prestados.

Como já fora salientado em estudos anteriores da Iosco, com menor número de participantes no mercado, pode haver uma redução da competição. Também já fora ressaltado em estudos anteriores que a simultânea prestação, pelas empresas de auditoria, de serviços de consultoria, reduziu de forma substancial o preço cobrado dos emissores pela atividade de auditoria, o que dificulta a atuação de firmas menores, que não prestam serviços de consultoria. A SUPERVISÃO DOS ÓRGÃOS REGULADORES - A imprensa tem questionado se os órgãos reguladores têm sido eficientes no estabelecimento de regras para os diversos agentes envolvidos (emissores, auditores e intermediários) que sejam impeditivas da prática de fraudes.

Também vem sendo ressaltado pela mídia que os escândalos decorrem do comportamento de “maçãs podres”, independentemente da existência de normas que visam coibir as práticas irregulares. Segundo o relatório, o ponto central do caso Parmalat, assim como de outros escândalos recentes, envolve falhas do emissor na divulgação de informações que, necessariamente, devam ser consideradas pelo investidor quando toma sua decisão. Na maioria dos casos o emissor divulga informações incorretas com o propósito de convencer o investidor de que sua situação financeira é melhor do que na verdade é. Apesar de as investigações sobre o caso Parmalat não estarem concluídas, é certo que, a despeito das normas legais e regulamentares, os investidores não estavam informados da situação crítica daquela companhia, inclusive quanto ao tamanho de sua dívida, o que implicou na completa impossibilidade  de ela servir seu passivo.

TÍTULOS DE DÍVIDA - Assim como em outros escândalos recentes, na Parmalat os títulos de dívida tiveram papel relevante. Nos últimos dez anos a  companhia obteve financiamentos com a oferta de “bonds” no exterior e, peculiarmente, ao varejo. O relatório chama a atenção para o fato de  que o mercado de títulos de divida apresenta duas diferenças em relação ao mercado de ações: geralmente os papéis, listados no mercado de balcão, são negociados entre investidores institucionais, o que torna esse mercado menos transparente; as companhias não são obrigadas a divulgar informações no mesmo nível que é exigido quando da oferta de ações porque o público alvo da oferta, mais sofisticado, pode conduzir uma “due diligence” antes de investir.

Os reguladores estão se perguntando se a globalização dos mercados, com a realização de operações além fronteira de uma jurisdição, cria espaços que possibilitem deixar encobertas fraudes praticadas. Tais espaços podem incluir a inexistência de uma regra em determinada jurisdição, assim como diferentes graus de monitoramento do mercado e de aplicação das normas, o que poderia levar emissores a buscar realizar suas operações em mercados menos regulados. Como exemplo o relatório cita a questão do rodízio dos auditores, existente na Itália, mas que não é mandatório em outras jurisdições, o que levou a Grant Thornton a continuar auditando as demonstrações de parte substancial das subsidiárias da Parmalat, apesar de ter deixado de auditar as contas  desta última. O relatório observa que, no caso Parmalat, houve uma estreita cooperação de reguladores. Logo após serem divulgadas as irregularidades nas demonstrações financeiras daquela companhia, as agências da Itália, EUA, Grã Bretanha e de outras jurisdições deram inicio a uma investigaçãocoordenada dos fatos, compartilhando as informações obtidas. A cooperação se deu na coleta de provas, na identificação de ganhos, na apreensão de documentos pertencentes a pessoas suspeitas e no congelamento de bens.

No Brasil, a quebra de alguns bancos grandes, na metade dos anos 90, levou autoridades como o Banco Central e CVM a aperfeiçoar a regulamentação incidente sobre a atividade de auditoria independente. Desde 1999, com a edição da Instrução CVM 308, fomos uma das primeiras jurisdições a estabelecer regras que buscam reforçar a independência dos auditores externos (veja quadro ao lado). Em janeiro de 2003 a CVM emitiu a Instrução 381, determinando que as companhias abertas e demais emissores de valores mobiliários divulgassem, em suas demonstrações contábeis, informações a respeito da prestação, pelo seu auditor independente ou pessoas a ele ligadas, de qualquer outro serviço que não seja de auditoria externa.

Apesar de a lei não obrigar as companhias a criar um comitê de auditoria em seus conselhos de administração, a CVM sugere em sua cartilha de boa governança que o comitê seja constituído, sugestão essa que vem sendo acolhida pelas grandes companhias. As regras sobre a elaboração de demonstrações financeiras e a divulgação de informações em geral também são objeto de constante aperfeiçoamento em nosso País. O anteprojeto de lei nº 3.741/2000, que dispõe sobre o aprimoramento da elaboração de demonstrações financeiras, está no Congresso Nacional e a CVM faz um permanente monitoramento das demonstrações elaboradas pelas companhias abertas e da atuação dos auditores independentes. No inicio de cada ano calendário, como pode ser visto no site da autarquia, é elaborado um oficio circular conjunto em que são divulgados os principais problemas e considerações na aplicação das normas de contabilidade válidas para as demonstrações financeiras das companhias abertas, tendo como objetivo principal o aperfeiçoamento da informação contábil para o mercado e a conseqüente convergência das práticas relacionadas à aplicação da legislação societária com as normas internacionais de contabilidade.

Além deste propósito, o ofício objetiva, também, orientar as companhias e seus auditores, a fim de se evitar os desvios observados nas informações divulgadas ao mercado. O regulador também editou normas sobre a divulgação de informações ao mercado, entre as quais cabe destacar, no período mais recente: a elaboração da Instrução nº 358 (que foi citada pela Iosco como exemplo de regulação na divulgação de informações relevantes); a edição de Instrução que determina às companhias que divulguem a remuneração paga aos seus auditores, destacando os valores correspondentes a outros serviços que lhes tenham sido prestados; a Instrução 400, regulando a oferta pública de valores mobiliários, e a Instrução 408, que inclui as Entidades de Propósito Específico nas demonstrações contábeis consolidadas das companhias abertas. Também no site da CVM podem ser encontradas, em “Alerta ao Mercado”, as determinações de republicação de demonstrações financeiras de companhias abertas.

 


Ex-presidente da CVM e advogado licenciado do escritório Motta, Fernandes Rocha Advogados (lcantidiano@mfra.com.br
)

8.2 - O rombo do Carrefour e o tombo da Deloitte

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/43045_O+ROMBO+DO+CARREFOUR+E+O+TOMBO+DA+DELOITTE

Rede varejista descobre que as perdas no Brasil podem chegar a R$ 1,2 bilhão. As manobras contábeis duraram cinco anos e passaram em branco pela empresa de auditoria, a mesma que não identificou o buraco no Banco PanAmericano

Por Rosenildo Gomes Ferreira

Existe uma expressão popular que preconiza “Nada é tão ruim que não possa piorar”. Esse ditado, de certo modo, sintetiza o caso de duas empresas conhecidas dos brasileiros: Carrefour e Deloitte. Em meados deste ano, a rede varejista, auditada pela Deloitte, anunciou que havia descoberto um rombo de R$ 185 milhões na filial brasileira. Na semana passada, veio a bomba: o prejuízo é na verdade sete vezes maior: R$ 1,2 bilhão.

Gosto amargo: Olofsson, presidente mundial do Carrefour, pretende  intensificar as investigações sobre as causas do prejuízo na filial brasileira 

A Deloitte, por sua vez, viu novamente sua credibilidade ser abalada. Há menos de um mês, o Banco Central descobriu um rombo de R$ 2,5 bilhões na contabilidade do Banco PanAmericano, que também era seu cliente.  Mais: de acordo com o jornal britânico Financial Times, Arnold McClellan, ex-sócio da consultoria nos Estados Unidos, teria vazado informações confidenciais sobre fusões planejadas por clientes da consultoria. Na terça-feira 30, Lars Olofsson, presidente mundial do Carrefour, reuniu os analistas de mercado para falar sobre os desdobramentos, para pior, do escândalo. 

A descoberta da nova cifra fez o dirigente subir o tom. Durante o encontro, ele garantiu que iria tirar toda a sujeira debaixo do tapete: “Nós estamos determinados a fazer o que for preciso para chegar até o fundo do que eu chamo de má gestão”, disse Olofsson, referindo-se ao período no qual a filial foi comandada pelo francês Jean Marc Pueyo. O discurso duro se deve à importância estratégica do Brasil dentro da corporação. Os R$ 25,6 bilhões faturados aqui, em 2009, representam 11% das vendas globais da rede. Por conta disso, Olofsson descartou a possibilidade de venda da filial. Isso, porém, não foi o bastante para acalmar os investidores. Um dia após a conferência, as ações da companhia chegaram a cair 8,35% na Bolsa de Valores de Paris. É que a perda no Brasil terá impacto direto no lucro do Carrefour. Procurada pela DINHEIRO, a Deloitte se limitou a enviar um comunicado no qual defende o trabalho feito por seus auditores. 

 O caso Carrefour, no entanto, põe em evidência a seguinte questão: como é que em apenas 18 semanas a KPMG enxergou algo que a Deloitte não viu em cinco anos? “A fraude contábil é um processo que envolve diversos profissionais. Dificilmente um rombo dessa magnitude passa despercebido em um processo independente de checagem”, argumenta Marcos Assi, coordenador do MBA de gestão de riscos e compliance da Trevisan Escola de Negócios. 

“Eles tiraram a laranja podre do cesto. Agora, é preciso ir além e mudar os mecanismos de controle da empresa”, completa Assi.  Segundo fontes da subsidiária, essa é exatamente a tarefa de Luiz Fazzio – o novo homem forte do Carrefour Brasil, que assumiu o posto no final de julho. 

Amandine Cuinet, porta-voz da matriz do Carrefour, afirma que a principal cartilha do executivo serão as posturas definidas pelo Comitê de Ética e incluídas no código de conduta, recém-elaborado. “Em setembro, a companhia definiu novos processos de auditoria interna que têm de ser seguidos por todo o grupo”, diz ela à DINHEIRO. 

Com passagens por C&A e Pão de Açúcar, Fazzio é tido como um gestor implacável. “Ele busca resultados positivos a qualquer custo e não se importa em eliminar benefícios ou demitir pessoas”, conta um profissional que trabalhou com ele. As primeiras vítimas foram quatro diretores que atuaram na gestão Pueyo.

Para entender o imbróglio do Carrefour é preciso conhecer algumas especificidades do mercado varejista brasileiro. Na gestão Pueyo, os números do balanço foram inflados graças a manobras contábeis em duas vertentes: estoques das lojas e bonificações recebidas dos fornecedores. 

No início do ano, o Carrefour fazia um planejamento prevendo os descontos que iria conseguir com os fornecedores. Só que, ao longo do ano, o montante não era confirmado e, mesmo assim, o valor inicial era lançado na contabilidade gerando uma receita artificial. Sem contar que muitas vezes os estoques não eram atualizados. Além disso, o rombo  inclui provisões para cobrir ações trabalhista.

 http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/43045_O+ROMBO+DO+CARREFOUR+E+O+TOMBO+DA+DELOITTE

 MATÉRIA 8.3 - Auditoria do PanAmericano reage a críticas

Extraído de: Conselho Federal de Contabilidade  - 19 de Novembro de 2010

 Por Fernando Torres - De São Paulo

 http://cfc.jusbrasil.com.br/noticias/2473467/auditoria-do-panamericano-reage-a-criticas

No olho do furacão desde a semana passada, quando foi anunciada a existência de um rombo de R$ 2,5 bilhões no Banco PanAmericano, a firma de auditoria Deloitte, responsável pela checagem dos números do balanço da instituição, afirma que o problema identificado no banco é mais complexo do que parece. Por isso, entende que não pode ser apontada como a única responsável pelo caso. "Estamos numa ponta dessa cadeia. A Deloitte vai responder pelo que lhe couber", diz Maurício Pires Resende, sócio de auditoria e responsável por assuntos regulatórios da Deloitte. Sem poder comentar os detalhes do caso ou da investigação em curso, por dever de confidencialidade com o cliente, a Deloitte diz que outros atores desse processo, que não apenas a auditoria, também tem suas responsabilidades. A diretoria da companhia é a responsável pela elaboração do balanço, preparado pela área de contabilidade da empresa, e que tem como base os dados dos sistemas internos de controle. Feito isso, no caso do PanAmericano, além da auditoria externa da Deloitte, ainda havia o crivo da auditoria interna, do conselho fiscal, do comitê de auditoria e do conselho de administração. A regulação cabe ao Banco Central.

A Deloitte diz que se baseou nos sistemas de controle do banco para fazer o seu trabalho e que partiu do pressuposto de que a administração colocou todas as informações à sua disposição. "Os procedimentos de auditoria que tinham que ter sido feitos naquele momento foram feitos", afirma Resende, quando perguntado se a firma havia feito testes para checar com os compradores das carteiras de crédito do banco confirmavam as transações. De acordo com ele, a auditoria não tinha condições de fazer o mesmo cruzamento de dados que o Banco Central fez. "Nossa condição de varrer tudo isso é menor", afirma o executivo. A Deloitte foi informada da existência do problema nas contas do PanAmericano numa reunião no dia 9 de novembro, com presença de representantes da própria instituição financeira, do Fundo Garantidor de Crédito e do Banco Central.

"Não tínhamos ciência de que teria uma deficiência de controle nessa magnitude. Fomos pegos de surpresa", disse, acrescentando que o balanço do terceiro trimestre vinha sendo preparado normalmente pela administração do banco até então.

Apesar de admitir que a repercussão do caso é internacional, Resende diz que a firma não perdeu nenhum cliente como consequência do ocorrido e que tem tido total apoio da rede internacional que forma a Deloitte. Aqui no Brasil, um comitê integrado por ele, pelo presidente da empresa e por sócios experientes está tratando do episódio. "Vamos fazer todo o possível para recuperar nossa imagem, que é a coisa mais preciosa que temos e que realmente está arranhada", disse.

O sócio da auditoria afirmou ainda que os honorários continuam sendo pagos normalmente, que não tem nenhuma informação sobre a anunciada contratação da PricewaterhouseCoopers e que até agora não foi oficialmente informada sobre uma ação judicial que estaria sendo movida pelos controladores do banco.

Resende disse ainda que a equipe da Deloitte que trabalha no PanAmericano foi reforçada e que a firma está colaborando tanto com as investigações como com a preparação dos números do balanço do terceiro trimestre, que ainda não tem prazo para sair. (Colaborou Nelson Niero

MATÉRIA 8.4 - Auditoria ignorou checagens básicas

 

Extraído de: Conselho Federal de Contabilidade  - 17 de Novembro de 2010

http://cfc.jusbrasil.com.br/noticias/2469390/auditoria-ignorou-checagens-basicas

Maior empresa do setor no mundo, Deloitte não conferia em que condições o banco tinhavendido carteiras de crédito

MARIO CESAR CARVALHO - DE SAO PAULO

A Deloitte mandou na última semana para o Banco PanAmericano e para o Banco Central o balanço do terceiro semestre da instituição financeira de Silvio Santos como se ela não tivesse um rombo de R$ 2,5 bilhões - R$ 2,1 bilhões são do banco e R$ 400 milhões da área de cartão de crédito.O buraco seria tratado numa nota técnica da demonstração financeira, recurso usado normalmente para explicar metodologia ou eventos menores no período analisado pelo balanço - de junho a agosto deste ano.Executivos que integram a nova diretoria e o novo conselho de administração do PanAmericano se recusaram a assinar o balanço porque seria o endosso da fraude, na interpretação deles.

O prazo legal para o envio da demonstração financeira do terceiro trimestre acabou à meia-noite de ontem. O buraco foi descoberto pela fiscalização do Banco Central em agosto, mas a Deloitte só ficou sabendo do problema no mesmo dia em que o PanAmericano fez um comunicado ao mercado - no último dia 7. A Deloitte é a maior empresa de auditoria do mundo e não apontou os problemas que o PanAmericano tinha ao auditar o balanço de 2009.

Entre outros problemas, diretores do PanAmericano vendiam carteiras de crédito para outros bancos, mas não registravam o repasse na contabilidade.Com isso, a situação do banco parecia melhor do que era de fato.

PROCESSO

Silvio Santos já anunciou que vai processar a Deloitte por conta da aparente omissão na análise do balanço.Se for condenada a pagar uma indenização para o empresário, uma das hipóteses mais plausíveis, a empresa de auditoria corre o risco de se tornar inviável no Brasil.

O PanAmericano recebeu um empréstimo de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito, um instrumento criado justamente para salvar bancos que estejam correndo risco de quebrar.A venda de carteiras de crédito para outros bancos, sem a devida baixa, não foi notada pela Deloitte porque a empresa deixou de fazer checagens primárias, segundo dois auditores ouvidos pela Folha. Um deles define o trabalho dos auditores como coisa de estagiário.A Deloitte não conferia com outros bancos quais eram as condições em que o PanAmericano havia vendido carteiras de crédito.A conferência desse tipo de venda é essencial para um balanço porque, conforme as condições de venda, afeta a capacidade do banco de emprestar dinheiro.

Era o que acontecia no PanAmericano. As carteiras de crédito eram vendidas com o que o mercado chama de coobrigação - o banco de Silvio Santos funcionava como uma espécie de avalista daquele crédito e pagaria pelos eventuais casos de calote.Os executivos não registravam a venda nem a cláusula de coobrigação. Se a coobrigação fosse registrada, como manda a lei, o PanAmericano ficaria com menor capacidade de emprestar recursos e teria de diminuir o ritmo de captação de clientes.O foco principal da instituição são os financiamentos de carros, motos e computadores.

OUTRO LADO

Deloitte diz que não enviou a demonstração A Deloitte diz que não tem procedência a apuração da Folha de que a empresa enviou uma demonstração financeira na qual o buraco de R$ 2,5 bilhões aparece apenas numa nota técnica.A reportagem pediu à empresa que fornecesse uma prova de que a informação era improcedente e obteve a seguinte resposta: não foi a Deloitte que finalizou a auditoria do terceiro trimestre.Sobre a checagem da venda de crédito com coobrigação, a Deloitte diz que não pode informar o que fez durante a checagem do balanço porque há uma cláusula de confidencialidade que veta esse tipo de informação.

PERFIL

Empresa estava com o banco desde 2004 Responsável por conferir documentos e atestar informações contábeis, a Deloitte é a empresa que "assinava embaixo" de todos os balanços e demonstrações do PanAmericano desde 2004.Se comprovadas as acusações, terá de responder financeiramente por parte das perdas, podendo ficar insolvente no país.A empresa não tem seguro para cobrir eventuais erros e omissões da equipe. A unidade brasileira é franquia da britânica Deloitte, a maior empresa do mundo no ramo.A crise pode levar ao descredenciamento da unidade brasileira pela matriz. No Brasil, a Deloitte tem cerca de 4.000 profissionais. No ano passado, faturou R$ 738 milhões - 40% em auditoria e 60% em consultoria, atividade que não tem risco financeiro. (TONI SCIARRETTA) 

 

 

 

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